ENTREVISTA/ Metal Negro/ Tiago Griff
O que para muitos é barulho, para outros é uma forma de estar. Um estilo de música com seguidores em todo mundo, com fortes opiniões sobre a religião e a sociedade, tenta passar uma mensagem que por vezes é mal entendida.
Para compreender um pouco melhor a música black metal, o Impertinente conversou com Filipe Guia, o vocalista da banda algarvia Deep Odium.
O Impertinente- O que é black metal para ti?
Filipe (Perverter) Guia - O black metal para mim é um estilo de vida pautado por um forte espírito crítico perante tudo e todos. Para além disso é ainda um estilo musical com uma forte componente de agressividade (no bom sentido da palavra) tanto a nível lírico como a nível sonoro, sempre virado para uma permanente crítica ao que nos rodeia, com especial incidência na religião. É apenas uma das muitas vertentes que (de)compõem o metal e sofre ainda ramificações originadas pela fusão do black metal com outros géneros. Neste momento, black metal para mim está conotado a Deep Odium, banda algarvia de black metal à qual estou presentemente ligado como vocalista.
O I. - Porquê e como começaste a ouvir?
F.G. - Comecei a ouvir metal há cerca de uns bons 10 anos. Foi o primeiro estilo musical que verdadeiramente me levou a gostar de música e devo agradece-lo à minha irmã que desde cedo começou a gostar de som mais pesado, apesar de hoje em dia não acompanhar o género. As suas tapes de Metallica, Iron Maiden, etc. levaram-me a interiorizar o espírito e procurar com avidez conhecer mais e melhor o mundo metálico e desde cedo o género do black metal se destacou nos meus gostos.
O I. - Qual a mensagem predominante nesse estilo de música?
F.G. - A mensagem predominante do black metal passa por incentivar as pessoas a usar do seu livre arbítrio, a combater dogmas, verdades absolutas, passa por alertar as pessoas para o perigo do “cordeirismo”, ideia muito seguida e difundida através da religião, seja ela qual for. É esse o inimigo, é esse o perigo real com que nos debatemos diariamente e que o black metal tenta contrariar, ou pelo menos algumas bandas pois outras, as que geralmente se auto-intitulam como as praticantes do true black metal, não passam de outras belas m..... extremistas sem interesse.
O I. - Achas que te influencia no teu dia a dia?
F.G. - Claro que sim, na minha forma de pensar, de (sobre)viver, de vestir, de acasalar, enfim, em tudo na vida.
O I. - Achas que esse tipo de música influencia muito quem a ouve?
F.G. - Claro, como tudo o que entra em contacto com o nosso ser, a música também influencia. Agora, isso não representa uma justificação para que uma pessoa faça A ou B. O ouvir de uma música extrema não quer dizer que a pessoa tenha de sair à rua para bater em tudo e todos. A mim, ouvir black metal, por exemplo, acalma-me o espírito ao contrário do que possa parecer para quem está de fora. Tenta-se atribuir à musica mais pesada actos violentos que certos indíviduos por vezes cometem mas isso não me parece lá muito correcto, pois também vejo por aí muitos casos de padres pedófilos e não me parece que seja a música sacra a obrigá-los a tal. É mais um conjunto de vários factores que leva a certos actos de violência e não a música em exclusivo.
O I. – Há quanto tempo tocas?
F.G. - Canto há cerca de 5 anos.
O I. – O que sentes quando tocas?
F.G. - Prazer, muito prazer.
O I. - Qual a tua relação com o público?
F.G. - Acho que é boa, penso que consigo criar uma certa empatia com o público pois puxo um pouco para o humor e isso cai sempre bem. Por outro lado, levo vinho para os concertos e isso ainda leva a uma melhor aceitação por parte do público, a não ser quando o vinho é do Lidl S.A.
O I. – Achas que existe uma cena black metal no Algarve?
F.G. - Sim, mas muito diminuta. Organizam-se até bastantes festivais no Algarve mas há pouca adesão. No entanto, por vezes conseguem-se criar ambientes muito bons em certos concertos mais pequenos.
O I. – Quando começou e como é que achas que está, como se tem vindo a desenvolver com o passar dos anos?
F.G. - Começou nos anos 90 e penso que se desenvolveu um pouco pois hoje em dia já há mais oferta em termos de bandas como na altura não havia e a publicidade é maior com o uso da Internet, o que cativa mais jovens para as hostes metaleiras. No entanto, ainda é um movimento bastante underground.
O I. – Achas que o estado te ajuda de algum modo a divulgares, a dares concertos ou a nível monetário a tua banda?
F.G. - Ajuda, não se metendo no caminho. Algumas Câmaras, como a de Lagoa, apoiam com o empréstimo do P.A., mas o resto é por nossa conta. Dinheiro e concertos nem ver, os fundos reservados pelas Câmaras deste País para a área cultural estão destinados para os “Bacalhaus quer alho” e “Chupa-Chupa”, que é o que faz movimentar a maior parte dos eleitores deste País.
O I. – O que achas que o estado devia fazer de modo a ajudar as bandas em geral?
F.G. - A nível camarário, deveriam aplicar os fundos culturais de que dispõem para ajudar as jovens bandas da região. A nível nacional, o estado deveria garantir maiores isenções fiscais às entidades que dessem apoio a jovens bandas nacionais, não diferenciado as mesmas.
O I. – No que é que se inspiram para fazer as letras?
F.G. - Principalmente nas várias religiões, predominantemente a católica pois é a mais prepotente e a que se tenta impor mais às outras, e a forma como estas tentam manipular o indíviduo a esquecer a sua individualidade em prol de um suposto Deus, o qual tendem a ser eles próprios a inventar consoante o seu interesse. Abordo também algumas histórias e perversões que a guerra e a mente humana constantemente nos oferecem.
O I. – Sentes que precisas de refrear algumas das tuas letras ou certos actos que tens no palco para não influenciar alguém negativamente?
F.G. - Não, mas também não abusamos demasiado pois não precisamos de chocar ninguém para passar um bom bocado e passar a nossa mensagem.
O I. – Sentes-te um actor social?
F.G. - Sim, mas impotente para mudar o mundo. Pelo menos uma pequena pedra no sapato da sociedade dita moral e puritana.
O I. – A tua banda é uma coisa prioritária ou é só para desanuviar?
F.G. - Neste momento, não funcionando como ganha-pão, serve apenas como escape mental e uma forma activa de expressão. Sintetizando, é só para desanuviar.
Para compreender um pouco melhor a música black metal, o Impertinente conversou com Filipe Guia, o vocalista da banda algarvia Deep Odium.
O Impertinente- O que é black metal para ti?
Filipe (Perverter) Guia - O black metal para mim é um estilo de vida pautado por um forte espírito crítico perante tudo e todos. Para além disso é ainda um estilo musical com uma forte componente de agressividade (no bom sentido da palavra) tanto a nível lírico como a nível sonoro, sempre virado para uma permanente crítica ao que nos rodeia, com especial incidência na religião. É apenas uma das muitas vertentes que (de)compõem o metal e sofre ainda ramificações originadas pela fusão do black metal com outros géneros. Neste momento, black metal para mim está conotado a Deep Odium, banda algarvia de black metal à qual estou presentemente ligado como vocalista.
O I. - Porquê e como começaste a ouvir?
F.G. - Comecei a ouvir metal há cerca de uns bons 10 anos. Foi o primeiro estilo musical que verdadeiramente me levou a gostar de música e devo agradece-lo à minha irmã que desde cedo começou a gostar de som mais pesado, apesar de hoje em dia não acompanhar o género. As suas tapes de Metallica, Iron Maiden, etc. levaram-me a interiorizar o espírito e procurar com avidez conhecer mais e melhor o mundo metálico e desde cedo o género do black metal se destacou nos meus gostos.
O I. - Qual a mensagem predominante nesse estilo de música?
F.G. - A mensagem predominante do black metal passa por incentivar as pessoas a usar do seu livre arbítrio, a combater dogmas, verdades absolutas, passa por alertar as pessoas para o perigo do “cordeirismo”, ideia muito seguida e difundida através da religião, seja ela qual for. É esse o inimigo, é esse o perigo real com que nos debatemos diariamente e que o black metal tenta contrariar, ou pelo menos algumas bandas pois outras, as que geralmente se auto-intitulam como as praticantes do true black metal, não passam de outras belas m..... extremistas sem interesse.
O I. - Achas que te influencia no teu dia a dia?
F.G. - Claro que sim, na minha forma de pensar, de (sobre)viver, de vestir, de acasalar, enfim, em tudo na vida.
O I. - Achas que esse tipo de música influencia muito quem a ouve?
F.G. - Claro, como tudo o que entra em contacto com o nosso ser, a música também influencia. Agora, isso não representa uma justificação para que uma pessoa faça A ou B. O ouvir de uma música extrema não quer dizer que a pessoa tenha de sair à rua para bater em tudo e todos. A mim, ouvir black metal, por exemplo, acalma-me o espírito ao contrário do que possa parecer para quem está de fora. Tenta-se atribuir à musica mais pesada actos violentos que certos indíviduos por vezes cometem mas isso não me parece lá muito correcto, pois também vejo por aí muitos casos de padres pedófilos e não me parece que seja a música sacra a obrigá-los a tal. É mais um conjunto de vários factores que leva a certos actos de violência e não a música em exclusivo.
O I. – Há quanto tempo tocas?
F.G. - Canto há cerca de 5 anos.
O I. – O que sentes quando tocas?
F.G. - Prazer, muito prazer.
O I. - Qual a tua relação com o público?
F.G. - Acho que é boa, penso que consigo criar uma certa empatia com o público pois puxo um pouco para o humor e isso cai sempre bem. Por outro lado, levo vinho para os concertos e isso ainda leva a uma melhor aceitação por parte do público, a não ser quando o vinho é do Lidl S.A.
O I. – Achas que existe uma cena black metal no Algarve?
F.G. - Sim, mas muito diminuta. Organizam-se até bastantes festivais no Algarve mas há pouca adesão. No entanto, por vezes conseguem-se criar ambientes muito bons em certos concertos mais pequenos.
O I. – Quando começou e como é que achas que está, como se tem vindo a desenvolver com o passar dos anos?
F.G. - Começou nos anos 90 e penso que se desenvolveu um pouco pois hoje em dia já há mais oferta em termos de bandas como na altura não havia e a publicidade é maior com o uso da Internet, o que cativa mais jovens para as hostes metaleiras. No entanto, ainda é um movimento bastante underground.
O I. – Achas que o estado te ajuda de algum modo a divulgares, a dares concertos ou a nível monetário a tua banda?
F.G. - Ajuda, não se metendo no caminho. Algumas Câmaras, como a de Lagoa, apoiam com o empréstimo do P.A., mas o resto é por nossa conta. Dinheiro e concertos nem ver, os fundos reservados pelas Câmaras deste País para a área cultural estão destinados para os “Bacalhaus quer alho” e “Chupa-Chupa”, que é o que faz movimentar a maior parte dos eleitores deste País.
O I. – O que achas que o estado devia fazer de modo a ajudar as bandas em geral?
F.G. - A nível camarário, deveriam aplicar os fundos culturais de que dispõem para ajudar as jovens bandas da região. A nível nacional, o estado deveria garantir maiores isenções fiscais às entidades que dessem apoio a jovens bandas nacionais, não diferenciado as mesmas.
O I. – No que é que se inspiram para fazer as letras?
F.G. - Principalmente nas várias religiões, predominantemente a católica pois é a mais prepotente e a que se tenta impor mais às outras, e a forma como estas tentam manipular o indíviduo a esquecer a sua individualidade em prol de um suposto Deus, o qual tendem a ser eles próprios a inventar consoante o seu interesse. Abordo também algumas histórias e perversões que a guerra e a mente humana constantemente nos oferecem.
O I. – Sentes que precisas de refrear algumas das tuas letras ou certos actos que tens no palco para não influenciar alguém negativamente?
F.G. - Não, mas também não abusamos demasiado pois não precisamos de chocar ninguém para passar um bom bocado e passar a nossa mensagem.
O I. – Sentes-te um actor social?
F.G. - Sim, mas impotente para mudar o mundo. Pelo menos uma pequena pedra no sapato da sociedade dita moral e puritana.
O I. – A tua banda é uma coisa prioritária ou é só para desanuviar?
F.G. - Neste momento, não funcionando como ganha-pão, serve apenas como escape mental e uma forma activa de expressão. Sintetizando, é só para desanuviar.


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